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CARTA RENÚNCIA DO ANCIÃO JOEL SPINA

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CARTA RENÚNCIA DO ANCIÃO JOEL SPINA

Mensagem por Jahyr em 2nd Janeiro 2015, 7:13 pm

Dallas, 15 de Agosto de 2008

Caros irmãos e irmãs, a paz de Deus esteja convosco.

Desde a minha separação da Congregação Cristã (aqui referida como “CC”) em Novembro de 2007, tenho o desejo de informar meus conservos, familiares e amigos mais próximos as razões dessa decisão. Em primeiro lugar quero esclarecer que essa decisão foi tomada depois de prolongada deliberação e muita oração. Não foi feita precipitadamente, de forma reacionária, nem resultado de um evento em particular. Os fatores que provocaram essa decisão se dividem em duas categorias: _ Pontos de doutrina e costumes que estou em completo desacordo com a maioria do ministério da CC;

_ O comportamento e posicionamento do ministério senior da CC. Há vários pontos de doutrina e fé que estou em total desacordo com a CC. Mencionarei aqui sòmente os que considero mais fundamentais, por razões de tempo. Em breve estarei colocando estes e outros pontos no site freeministry.googlepages.com.

1. Os membros da CC acreditam que ela é a graça de Deus na Terra. Como devemos todos saber, êsse título e honra pertencem a Jesus Cristo, e sòmente a Êle. A CC iniciou há pouco mais de 100 anos entre imigrantes italianos nos Estados Unidos, e eventualmente se propagou
para outros países como Brasil e Portugal. Considerar essa denominação como a manifestação exclusiva da misericórdia de Deus na Terra é simplesmente um absurdo. Essa hipótese nada mais é do que um desrespeito à Obra de Deus, e a dimensão do Seu poder. A CC é uma denominação cristã, entre muitas outras, na Terra. Uma denominação que infelizmente prima pelo espírito de exclusão, quando o exemplo deixado por Jesus Cristo é de inclusão. O impacto dessa falsa
doutrina é muito mais destrutivo do que se pode imaginar inicialmente.

 
 
2. Os salvos gozarão vida eterna nos céus graças à misericórdia de Deus manifestada na morte e resurreição de Jesus Cristo, e não resultante do nosso esforço. Sem dúvida alguma, a Palavra nos ensina que os salvos produzirão frutos de honra, aceitáveis, obras que se aproximam cada vez mais do exemplo deixado por Cristo (somos varas da Videira). Tal aperfeiçoamento é resultante da Obra de Deus na vida dos escolhidos, e não decorrente da capacidade humana. O Espirito Santo que habita nos escolhidos é que produz obras e intenções santas na vida do ser
humano.

3. A obra de salvação e santificação do ser humano é feita pelo Espírito Santo: essa é a Obra de Deus. Êsse trabalho é feito individualmente, de acôrdo com o plano de Deus. O ministério da CC crê que é sua responsabilidade “santificar” o povo, mostrar o caminho à irmandade. Êsse posicionamento totalmente errôneo, de caráter presunçoso, ocasiona a publicação frequente de “mandamentos”, “ensinamentos”, “tópicos” que tentam dar direcionamento à irmandade quanto ao seu comportamento, modo de vestir, comunicação, etc. Essa é uma manifestação do mesmo espírito que guiava muitos Fariseus na época de Jesus, fazendo com que êles tomassem a Lei, e a aplicassem de uma forma extremista no tratamento com o povo, afim de “santifica-lo”. Êsse
espírito foi veemente e constantemente reprovado pelo Senhor, e no entanto êle é amplamente aceito e estimulado na CC.

_ Como ilustração do tópico acima, o ministério da CC vai buscar no livro de Deuteronômio uma passagem – numa interpretação completamente errada – para proibir as irmãs de usarem calça
comprida;
_ No mesmo espírito, o ministério vai então até o Novo Testamento, nas cartas de Paulo, para proibir seus membros de praticar esportes, uma vez mais com interpretações totalmente fora de
contexto. Isso prova a presenca dêsse espírito farisaico que julga, condena e exclui.

 
_ Devemos ressaltar, entretanto, que esse mesmo ministério não aplica a lei do Sàbado, dos sacrifícios, e muitas outras do Velho Testamento, tampouco o ensinamento de Paulo que dá
preferência ao crentes permanecerem solteiros, entre outros. Se o ministério da CC crê que seremos salvos pela Lei, então pelo menos por consistência, deveria aplicar a Lei na sua totalidade, e não escolher os artigos dessa lei que agradam alguns homens da cúpula ministerial.

4. Os cristãos são alimentados espiritualmente pela Palavra de Deus, que é Jesus Cristo: o Caminho, a Verdade e a Vida. Os serviços religiosos na CC, como em qualquer outra denominação, devem promover reuniões onde Deus seja exaltado e o espírito e a mente dos seus membros sejam edificados. Essa edificação é obtida através do conhecimento gradual de
Jesus Cristo, isto é, das Escrituras.

A CC sempre foi contrária ao estudo da Bíblia. O princípio – outra vez, totalmente errôneo – é que se o ministério e o povo realmente “examinar” - a palavra estudar se tornou um tabu na CC - a Bíblia, Palavra de Deus, então estaríamos tomando o lugar do Espírito Santo; como se a Palavra
de Deus, Jesus Cristo, o Pai, e o Espírito Santo fossem entidades diferentes!

5. Limitados por essa reconhecida ignorância das Escrituras, o que podem então os ministros – anciães e cooperadores – proporcionar à irmandade durante os serviços de culto? Só lhes resta ministrar promessas (erradamente referidas como profecias na CC), testemunhos espetaculares e fábulas, manifestações de emoção e ruído (erradamente atribuídos ao Espírito Santo), etc. Êsse comportamento inadequado, baseado em falsas doutrinas, transformou a CC num dos grupos que
menos conhece as Escrituras entre os Cristãos. Uma das sérias consequências de tal desconhecimento é a tremenda enfase na aparência externa dos seus membros, em detrimento do fato fundamental de que a obra de Deus é uma obra de sentimentos, de intenções, espiritual.

 
6. Reuniões ministeriais na CC também deixam muita a desejar: ao invés do ministério procurar a guia de Deus no exame das Escrituras, para que recebam a revelação, a maior parte do tempo é desperdiçado no tratamento de “casos”, causas administrativas, escolha de cor e tamanho
de Bíblias e hinários, apresentação de novos letreiros para as congregações, etc. Posso dizer, com muita tristeza, desde que comecei a participar nas assembléias – 1980 – com exceção da pregação da Palavra, muito pouca instrução e edificação houve nessas reuniões.
Tive oportunidade de apresentar todos êsses – e muitos outros – pontos de discordância ao ministério senior da CC, tanto dos Estados Unidos como do Brasil, e em geral a reação foi de “terminar com essa conversa aqui mesmo….”. Essas discordâncias não foram toleradas com base nas tradições e costumes da CC. Várias vezes a resposta a minhas apresentações se iniciavam com o famoso”….o saudoso irmão Fulano nos falou há varios anos atrás….” Com todo o respeito que os servos de Deus me merecem, não tenho interesse na opinião de irmãos ou outras pessoas. A responsabilidade do ministério, especialmente do ministério senior, do qual fazia parte,
é de procurarmos entender a vontade de Deus, baseada na Sua Palavra, as Escrituras.
Isto nos leva ao segundo grupo de fatores que ocasionou a minha separação da CC – o posicionamento do seu ministério senior:

a) A maioria dos anciães reagia às minhas apresentações com sinais de frustração, desprezo, e silêncio. Concluo que êsse tipo de reação provém de ignorância, apêgo excessivo a tradições (a síndrome do “como posso agora modificar algo que tenho pregado ou exortado por tanto tempo…”), teimosia, ou mais provável, da combinação de todos esses fatores.

 
b) A minoria dos anciães reagia de uma forma que considero extremamente perigosa e destrutiva: silêncio completo, ensurdecedor, de omissão. De omissão porque esses anciães comprovadamente concordam comigo nêsses pontos discutidos. Irmãos com quem tive oportunidade de conversar longa e profundamente, portanto conheço seus posicionamentos. O crime de omissão é tão grave quanto o de comissão! A omissão dêsses irmãos realmente me causa
surpresa e perplexidade. A razão da mesma só Deus o sabe: o que posso presumir é que êsses irmãos não queiram “balançar o barco”, perder privilégios ou prestígio junto aos demais do ministério e da comunidade, perder a oportunidade de visitar “a obra” em outros países, perda de oportunidades para proveito pessoal, viagens e passeio, oportunidade de promover familiares e
amigos dentro do ministério e da comunidade, etc. Os motivos reais, uma vez mais, só Deus os sabe. Enquanto isso a ignorância persiste.

c) No decorrer dessas discussões também tive oportunidade de notar uma séria falta de consistência no tratamento de assuntos. Descrevo aqui alguns exemplos:

a. A CC ensina que nenhum cristão deve participar nas suas Santa Ceias, e ter liberdade nos cultos, a menos que essa pessoa seja batizada especificamente na CC. Ao mesmo tempo anciães que insistem em manter esse ensinamento errôneo e de exclusão não sòmente não foram
batizados na CC, como também não foram ordenados anciães na CC!

b. Em reuniões recentemente realizadas, o ministério passou horas intermináveis tratando de um caso de diáconos (que notavelmente estavam ausentes!), julgando o comportamento dêsses irmãos na área financeira. Obviamente o local e o formato dessa apresentação foram totalmente inadequados. Mas o interessante é que êsse mesmo ministério, zeloso no julgamento dos diáconos ausentes, nunca apresentou contas dos fundos que estão sob sua responsabilidade por
vários anos aqui nos Estados Unidos, apesar de vários pedidos feitos por outros anciães para que essa apresentação seja feita

 
Numa nota final, depois da minha separação da CC, vários irmãos e irmãs, inclusive familiares, me apresentaram duas perguntas / situações, e aqui lhes respondo:

_ P1 – “Uma vez que a CC é a graça de Deus, por que você não espera, tenha paciência, até que Deus corrija êsses problemas?” - (Outras variações interessantes dêsse tema também circularam)

_ R1 - Em primeiro lugar, a CC não é a graça de Deus (veja tópico 1 acima) Em segundo lugar, não há garantia nenhuma que o Senhor vá corrijir êsses problemas. Na verdade a história nos
mostra que Êle não irá corriji-los: desde o tempo de Samuel no Velho Testamento, o Senhor honra o desejo do povo, ainda que indo contra a Sua vontade (I Samuel Cool. Em outro exemplo dêste
ponto, muitos anos depois, um certo movimento se iniciou em Roma, com base no testemunho deixado por cristãos pioneiros, inclusive dos apóstolos Pedro e Paulo. Êsse movimento que
eventualmente se denominou igreja Católica Romana se desviou do exemplo deixado por Jesus Cristo. Da mesma forma muitas outras denominações que se iniciaram com as melhores
intenções acabam se desviando do exemplo do Senhor. Por acaso o Senhor as corrijiu? A resposta é não! Nem mesmo a que foi iniciada pelos seus próprios apóstolos! Uma vez mais, o
Senhor honra o desejo do povo, mas também pedirá conta dos que estão a frente e receberam Sua Luz.

 

P2 – “Mas na minha congregação (ou região) não se ouve êsses pontos errôneous, que não tem fundamento (alguns incluídos nos items acima)”

_ R2 – Então tudo indica que o ministério da sua congregação pertence à segunda categoria de ministros acima descritos: omissos. Participei de muitas reuniões ministeriais, conheço vários irmãos que concordam comigo, mas na hora da reunião nunca se manifestam quando sabem que o ponto em pauta é conflitante. Uns estão esperando “…que o Senhor corrija…” (veja ponto R1 acima). Outros dizem que “…é melhor ficar quieto por agora, até que as coisas entrem no lugar…” ou então “…esperemos até que os velhos morram….” Isto nada mais é do que a famosa filosofia do “….dos males o menor….”, ou “…os fins justificam os meios…” Nunca encontrei no exemplo deixado por Jesus Cristo alguma base para essa filosofia: pelo contrário a parábola dos talentos mostra muito claramente o que aconteceu para o que escondeu o talento, com mêdo, omisso (Mateus 25:14). Em verdade tal filosofia foi criação do político italiano
Nicolò Machiavelli, publicada em seu famoso livro “O Príncipe” em 1514. Os servos de Deus devem escolher qual exemplo devemos seguir.

Concluo que se a Congregação Cristã, especialmente seu ministério, prefere permenecer nesses princípios erroneous, o Senhor assim o permitirá.Cada um de nós temos a responsabilidade de mostrar a luz que de Deus temos recebido. Individualmente sabemos o que Êle nos tem mostrado. Espero que a este ponto vocês já possam entender as razões da minha separação, e especialmente o fato de que eu não posso sentar-me calado – ou seja consentindo – com o ministério da CC. Eu não aceito e nem concordo com omissão, simplesmente porque tenho certeza – e o mais importante - que o Senhor não a aceita.

Continuarei a servir a Deus com os meios e entendimento que Êle tem me dado.
Que a paz de Deus permaneça em vossas vidas.

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Re: CARTA RENÚNCIA DO ANCIÃO JOEL SPINA

Mensagem por Ricardo Mendes em 24th Janeiro 2015, 12:58 pm

Lendo esta carta também tenho esse sentimento sobre a CCB, no pondo "R1" onde ele comenta: " que o Senhor não irá corrigi-los dos problemas mencionados, e cita o texto de Samuel". Acato isso como verdadeiro apesar da tristeza.
Um irmão responsável pela área Adm da qual também faço parte, teve um aborrecimento com um diácono por discordar sobre algumas coisas que estavam acontecendo de errado, acabou sendo retirado da Adm. O que me chamou a atenção foi a resposta do diácono que dizia: O ancião Spina saiu e nem por isso a obra parou.

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