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QUATRO "ÂNCORAS" DA VIDA EM ASSEMBLÉIA

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QUATRO "ÂNCORAS" DA VIDA EM ASSEMBLÉIA

Mensagem por Ricardo Mendes em 24th Setembro 2015, 6:51 pm

A prática bíblica para cristãos congregados para
adoração e ministério
 
Além de estar congregada para o nome do Senhor Jesus
Cristo, aprendemos também do Novo Testamento
que a igreja no princípio se reunia para quatro objetivos
principais. Lá vemos que eles "perseveravam na doutrina
dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e
nas orações" (At 2:42). Estas são as mesmas razões pelas
quais a igreja hoje deveria se reunir. Podemos chamá-las
de "quatro âncoras" da vida em assembleia.
Primeiramente, a igreja no princípio se reunia para o
aprendizado da "doutrina dos apóstolos". Também precisamos
de reuniões específicas para o aprendizado da
verdade das Escrituras, porém muitos cristãos não dão a
devida importância à doutrina. Para muitos parece que
contanto que estejamos juntos e tenhamos amor pelo
Senhor, o que cada um professa em termos de doutrina
não é muito importante. O ensino bíblico nas denominações
geralmente reflete uma atitude assim. O foco da
maioria dos sermões costuma ficar em algum detalhe
prático da vida cristã. A consequência disso é que as
pessoas não se firmam na verdade. Muitos cristãos amados
passam a vida inteira "levados em roda por todo o
vento de doutrina" que venha a cruzar seu caminho (Ef
4:14).
Como acontecia com a igreja no princípio, precisamos
de reuniões que sejam lideradas pelo Espírito, nas quais
dois ou três possam se dirigir aos santos com uma palavra
de exortação ou com a apresentação da verdade.
Paulo disse: "Falem dois ou três profetas, e os outros
julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for
revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos
podereis profetizar, uns depois dos outros; para que
todos aprendam, e todos sejam consolados. E os espíritos
dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1 Co 14:29-
32).
Além disso, a leitura bíblica – quando a Bíblia é lida e
os irmãos têm a oportunidade de discorrer sobre uma
passagem para a edificação da assembleia – também é
uma forma viável de se comunicar a verdade aos santos.
Esta era a prática dos irmãos no princípio da igreja quando
se reuniam para a leitura das Escrituras. A exortação
de Paulo a Timóteo foi, "persiste em ler (literalmente,
"persiste nas leituras"), exortar e ensinar" (1 Tm4:13). A
leitura da qual Paulo falava não era o estudo pessoal da
Bíblia, mas a leitura pública das Escrituras a outros. O
fato de "exortação" e "ensino" estarem associados à leitura
das Escrituras naturalmente sugere que existia a oportunidade
para aqueles que, como Timóteo, estavam capacitados
a comentar as passagens lidas para a edificação
dos demais. Estes são elementos básicos de uma reunião
de leitura. É a maneira que Deus determinou para os
cristãos permanecerem fundamentados na verdade.
No princípio a igreja também se reunia para a "comunhão"
cristã. Muitos cristãos enxergam a comunhão
como nada além de se encontrarem com outros cristãos
para recreação e atividades esportivas. Não há nada de
errado com a recreação, mas a comunhão cristã é a comunhão
nas coisas cristãs. Trata-se de comunhão nas
coisas divinas que temos em comum com todos os
membros do corpo de Cristo. No princípio da igreja não
há dúvida de que isso ocorria quando eles estavam juntos
para o aprendizado da doutrina dos apóstolos, pois
no próprio versículo este aprendizado está intimamente
conectado à comunhão. Todavia, não deveríamos limitar
a comunhão com outros crentes apenas quando estamos
reunidos para o aprendizado da verdade. Precisamos
também visitar uns aos outros.
Além destas atividades, a igreja no princípio também
se reunia para o "partir do pão". Depois que a igreja foi
estabelecida, a cada primeiro dia da semana (o dia do
Senhor) eles se reuniam para partir o pão (At 20:7). Este
é um privilégio do qual nós também desfrutamos, já que
o Senhor pediu "fazei isto em memória de mim "(Lc
22:19). Todavia, esta é mais uma prática que aparentemente
não é muito importante para os cristãos hoje, já
que a maioria dos grupos cristãos celebra a ceia do Senhor
uma vez por mês ou a cada três meses. A maneira como
ela é celebrada também chega a ter apenas uma vaga
semelhança com o que encontramos nas Escrituras.
Mesmo quando é celebrada, a ceia costuma durar poucos
minutos e é encaixada no "culto" da igreja. Ela costuma
também ser celebrada entre crentes e incrédulos
misturados, embora o Senhor, ao instituir a ceia, indicou
que apenas os verdadeiros crentes deveriam partir o
pão em Sua memória (Jo 13:30; Lc 22:19; 1 Co 11:23-26).
Ele deseja que aqueles que Ele redimiu separem um tempo
para se ocupar com Sua Pessoa – para apreciarem o
imenso custo que teve a sua redenção. Não gostaríamos
de ser dogmáticos a respeito, mas tudo indica que quando
o Senhor instituiu a ceia, foi um momento separado
especificamente para aquele objetivo (Lc 22:14).
Finalmente, eles se reuniam regularmente para "as
orações" (At 4:23-31; 12:12-17). No idioma original, a
expressão "as orações" indica que eles separavam ocasiões
específicas para estarem juntos com este objetivo.
Portanto, a igreja no princípio promovia reuniões de oração,
quando podia expressar publicamente sua dependência
do Senhor quanto às suas necessidades. Mais uma
vez, isto é algo que infelizmente hoje faz falta na igreja.
Muitos grupos de cristãos promovem apenas cultos dominicais.
Uma reunião de oração no meio da semana é
uma prática que desapareceu em muitos lugares. E
aqueles que mantêm reuniões de oração, geralmente não
contam com uma grande frequência. Isso tão somente
prova que os cristãos atualmente não consideram as reuniões
de oração importantes. Todavia, o Senhor gostaria
que o Seu povo se reunisse regular mente para as orações.
Estes são os principais tipos de reuniões que ocupavam
a igreja no princípio, quando esta estava reunida, e
são as mesmas que precisamos ter hoje. Elas são essenciais
para a saúde espiritual da assembleia, e é por esta razão
que Deus deixou um registro delas para nós em Sua Palavra.
A "doutrina dos apóstolos" forma nossa "comunhão",
o "partir do pão" expressa essa comunhão, e "as
orações" a mantém. Estas quatro coisas têm sido chamaBruce
Anstey
das de quatro âncoras da vida em assembleia. (Existe outro
tipo de reunião da assembleia que é indicada nas
Escrituras – a reunião para disciplina; mas ela tem um
caráter diferente – 1 Co 5:4-5).
Tendo estas quatro coisas básicas em mente, voltamos
a perguntar: Acaso precisamos de algum acessório extra,
dentre os muitos encontrados hoje na cristandade, para
colocar em prática estas coisas tão simples? Não, a igreja
no princípio não precisava de acessórios e tampouco nós
precisamos deles! Então por que não voltar simplesmente
ao puro e simples cristianismo que encontramos na Bíblia,
a fim de descobrirmos a bênção que é procedermos
assim?
Consequências práticas de se abandonar as "quatro
âncoras"
Quando deixamos de lado qualquer uma dessas "âncoras",
sentimos sérias consequências práticas em nossa
vida. Um exemplo disso está em Atos 27:40-41. Quando
os marinheiros se livraram das "quatro âncoras" (At
27:29), acabaram logo atingindo as rochas e naufragaram.
Assim como aconteceu com aqueles marinheiros,
alguns cristãos acham que podem se livrar dessas quatro
importantes práticas e que não haverá consequências.
Porém, cedo ou tarde acabam perigosamente à deriva
espiritual e "naufragam" (1 Tm 1:19). Sem reuniões especificamente
designadas para esses propósitos, ficamos à
deriva em uma ou outra área de nossa vida cristã. Uma
boa pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: "Quantas
dessas âncoras conservo em minha vida?".
Sem a "doutrina dos apóstolos" não permaneceremos
"confirmados na presente verdade" (2 Pd 1:12).
Consequentemente, seremos "levados em roda por todo
o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com
astúcia enganam fraudulosamente" (Ef 4:14). Alguns
cristãos pensam que doutrina é algo que deve ser deixado
a cargo do "Pastor" de sua igreja, porém as Escrituras
dizem que a verdade foi entregue por intermédio dos
apóstolos aos santos – todos eles, não apenas um grupo
especialmente qualificado entre os santos (Jd 3). Ela não
foi entregue aos apóstolos, mas por intermédio dos apóstolos
aos santos. Os apóstolos não eram os destinatários
finais da verdade; eles eram apenas os canais através
dos quais ela chegaria até nós. A doutrina cristã, portanto,
é algo que todo cristão deve conhecer, desfrutar e andar
nela. J. N. Darby disse que "nenhum cristão conhece
seu verdadeiro lugar sem ela". Portanto, devemos prestar
atenção à doutrina, pois existe uma salvação prática
conectada a ela (1 Tm 4:15-16). Não podemos viver bem
sem ela.
Se ficarmos sem "comunhão" com outros cristãos nas
coisas divinas, não seremos corrigidos e ajustados em
nossos pensamentos acerca da doutrina e de quaisquer
faltas e peculiaridades de nossa vida pessoal. Isto é resolvido
quando estamos com outros cristãos. Além do
mais, se não andarmos em uma comunhão prática com
nossos irmãos, ficaremos sujeitos a interpretações errôneas,
as quais com frequência nos levam a equívocos e
contendas (Fp 2:2-3).
Sem o "partir do pão" nosso coração pode esfriar. A
ceia do Senhor é uma ocasião quando recordamos o
Senhor em Sua morte; quando relembramos o Seu amor
por nós, que O levou a sofrer na cruz em nosso lugar. A
meditação nesse amor eleva nosso coração a Ele em verdadeira
adoração (2 Co 5:14, Ct 1:2-4).
Sem a "oração" nossa vida se torna independente dEle,
que é nossa Cabeça. Começaremos a escolher nosso
próprio caminho de vida, sem depender da Cabeça (Cl
2:19). Sem a de pendência do Senhor certamente acabaremos
dando passos que nos levarão para fora da senda
cristã.

Bruce Anstey - A ordem de Deus

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Ricardo Mendes

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